SOCIOLOGIA DA EDUCAÇÃO - Informativo das Disciplinas de Sociologia do IEAR-UFF / Prof. Marcos Marques de Oliveira
9 de outubro de 2024
(Lançamento) Ensaios sobre Florestan Fernandes: sociólogo, político e defensor da educação pública
14 de agosto de 2023
[Artigo] Cotas: o que as manchetes escondem
Aproveitando a recém aprovação da renovação da "Lei das Cotas" pela Câmara dos Deputados, socializo um antigo artigo meu, publicado em 26/02/2003, há mais de vinte anos, no site Observatório da Imprensa, sobre o tema - e republicado na coletânea Escritos florestânicos sobre comunicação, educação e política (Kindle, 2021).
"Para além do mecanismo das cotas (que pode ser, dependendo da forma de implementação e da consciência de seus limites, um importante instrumento compensatório para históricas dívidas sociais), o que deve pautar as políticas educacionais é o debate sobre o modelo de desenvolvimento socioeconômico que o atual bloco político pretende implementar, o que, por sua vez, determina qual o papel do Estado na promoção dos direitos fundamentais do homem, no qual está incluso o acesso à educação, há muito proclamados nas declarações universais e na Constituição nacional".
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RESERVA DE COTAS
O que as manchetes escondem
Marcos Marques de Oliveira (*)
O "vestibular das cotas" da Universidade Estadual do Rio de Janeiro, para além de seus defeitos e virtudes, teve o mérito de recolocar em pauta um tema há muito esquecido pela sociedade brasileira. Não falo aqui das posições pró ou contra as cotas étnicas ou por origem de instituição, assunto de quase todas as notícias relativas ao acontecimento. O que quero enfatizar é o voluntário desmonte da universidade pública, gratuita e de qualidade, processo que se consolidou com as políticas educacionais dos governos do intelectual Fernando Henrique Cardoso.
Não vai aqui nenhuma denúncia efusiva contra o renomado sociólogo, mas apenas o reconhecimento de que este resultado corresponde aos princípios filosóficos e éticos que permeiam o ideal político do grupo que representa. Na perspectiva do bloco de poder que assume a hegemonia das políticas públicas no período 1994-2002, estavam esgotadas as potencialidades do nacional-desenvolvimentismo, principalmente no que se refere ao papel destinado ao Estado.
Como destaca o Plano Diretor da Reforma do Aparelho do Estado de 1995, esse modelo mostrou-se superado por três motivos: a) pela crise fiscal, devido a crescente perda de crédito estatal, o que tornou a poupança pública negativa; b) pelo esgotamento da estratégia estatizante de intervenção do Estado; c) pela antiquada forma de administração estatal, caracterizada pela gerência política-burocrática.
O "novo Estado" idealizado pelo bloco político capitaneado pelo PSDB deveria deixar de ser responsável direto pelo desenvolvimento econômico e social, tendo que se fortalecer como promotor e regulador deste processo. Sua função, portanto, estaria restrita a uma ação redistributiva dos bens sociais e ao cumprimento do clássico objetivo hobbesiano de garantir a ordem interna e a segurança externa.
Ciência e mercado
Para tanto, tornava-se premente a transferência para o setor privado das atividades que pudessem ser controladas pelo mercado. A privatização e a constituição do setor público não-estatal (o chamado "terceiro setor") seriam os grandes instrumentos de execução dos serviços que não demandariam o exercício do poder do Estado, mas apenas o seu subsídio. Neste campo, junto aos serviços de saúde e cultura, estaria a educação, principalmente no que se refere ao acesso do ensino superior e ao desenvolvimento da ciência e da tecnologia.
A consequência dessa política na área educacional foi o selvagem processo de empresariamento do antigo 3º grau. O setor privado, segundo o Censo Escolar de 2001, detém 87% das instituições e 69% das matrículas. Enquanto, de 1994 a 2001, o número de alunos em instituições privadas cresceu de 970.584 para 2.091.529 (115%), nas instituições públicas as matrículas passaram de 690.450 para 939.225 (36%). Tal processo inverteu a tendência do período 1990-1994, quando o setor privado cresceu apenas 0,9%, e o público, 19,3%.
Uma avaliação incauta poderia argumentar que, de qualquer forma, o "negócio" cresceu. Sim, mas em que condições? De um lado, houve o sucateamento das instituições públicas de ensino, que sofreram com a mitigação de recursos e a desmobilização do seu corpo de funcionários, afetados pelo congelamento dos salários, a terceirização dos serviços de manutenção e as cada vez mais precárias condições de ensino e pesquisa. Só para se ter uma ideia, os valores das bolsas de mestrado e doutorado continuam hoje com os mesmos de 1994.
A exceção ficou por conta dos denominados "núcleos estratégicos" estimulados pelo poder político, que serviram para o acirramento da concorrência e inviabilizar qualquer resistência. Soma-se a isso o cada vez maior estreitamento entre a produção científica destes núcleos e os interesses do mercado globalizado, que através das fundações e das organizações sociais podem inviabilizar pesquisas de amplo interesse público e social.
Em vigor, o subcapitalismo
Do outro lado, a expansão privada mostrou sua face cruel. A multiplicação de cursos não acompanhou o investimento em infraestrutura, salário docente e condições de pagamento da clientela (apesar do esforço governamental em aumentar o chamado "crédito educativo"). O resultado, como demonstra a corrosiva disputa midiática entre universidades, centros universitários e faculdades isoladas, é a multiplicação de cursos de péssima qualidade, professores com inumanas condições de trabalho (salários atrasados, número exacerbado de aulas, vários vínculos empregatícios) e alunos humilhados com as estratégias de combate à inadimplência. Com esse quadro, dá para imaginar as condições de ensino-aprendizagem a que estão submetidos os futuros médicos, jornalistas, juristas, psicólogos, educadores...
Desta forma, para além do mecanismo das cotas (que pode ser, dependendo da forma de implementação e da consciência de seus limites, um importante instrumento compensatório para históricas dívidas sociais), o que deve pautar as políticas educacionais é o debate sobre o modelo de desenvolvimento socioeconômico que o atual bloco político pretende implementar, o que, por sua vez, determina qual o papel do Estado na promoção dos direitos fundamentais do homem, no qual está incluso o acesso à educação, há muito proclamados nas declarações universais e na Constituição nacional.
A continuar a sublimação deste debate, permanecerão as estratégias de precarização e privatização dos agora chamados "serviços" públicos, que deixam de ser pensados a partir das políticas de universalização e igualdade para dar lugar ao voluntarismo de uma pretensa sociedade civil homogênea e à clássica novidade das políticas promotoras da denominada equidade de oportunidades.
O horizonte das cotas, portanto, deve ser a universalidade do bem-estar social, que no caso do ensino superior se expressa na possibilidade de acesso de um público cada vez mais amplo a uma educação de qualidade socialmente referenciada que justifique sua gratuidade.
Terminando uma de suas teses, o sociólogo Fernando Henrique colocava a questão: subcapitalismo ou socialismo? Sei que a opção pelo segundo modelo, se é que ele existe, não é tarefa das mais fáceis. No entanto, a continuar o consenso que paira sob governo, sociedade e mídia deste país tupiniquim, as políticas de manutenção do primeiro estágio permanecerão sendo implementadas.
(*) Jornalista, cientista político e pesquisador da UFF; autor de O desenvolvimento da ação sindical do ensino privado brasileiro(Preal/Fundação Getúlio Vargas, 2001) e Os empresários da educação e o sindicalismo patronal (Edusf, 2002)
16 de março de 2021
[Artigo] A mercantilização dos direitos e os novos dilemas da educação brasileira
OLIVEIRA, Marcos Marques de. A mercantilização dos direitos e os novos dilemas da educação brasileira (p. 92-99). ANDES, Revista Universidade e Sociedade, v. 13, n. 30, Jun. 2003a.
30 de novembro de 2020
[Novo Artigo] METAMORFOSES DO ENSINO SUPERIOR BRASILEIRO
A nossa entrevista com Afrânio Mendes Catani (USP), na Movimento - Revista de Educação da Faculdade de Educação da UFF.
"Na atual conjuntura, será muito difícil conter os lobbies privatistas, que representam fortíssimos grupos financeiros – com grande capacidade de influência sobre o atual governo. E minha crítica, recordando o que eu já disse sobre o que penso do papel do intelectual, no sentido apontado por Weber, é que seja o grande gargalo histórico: diversas políticas de governos, muitas até boas, não se transformaram em políticas de Estado. O que demonstra uma grande fragilidade nossa, política e societária"...
Link: https://periodicos.uff.br/revistamovimento/article/view/45742/27291
15 de agosto de 2017
[Disciplinas 2-2017] Programas de "Sociologia da Educação II" e "Política e Organização da Educação Brasileira"
Seguem os programas das nossas duas disciplinas para este semestre no Instituto de Educação de Angra dos Reis (IEAR/UFF):
- Política e Organização da Educação Brasileira [Pedagogia / Geografia]
- Sociologia da Educação II [Pedagogia / 2-2017]
Lembramos que as nossas aulas começarão em 25/08/2017.
Até lá!
Prof. Marcos Marques de Oliveira
19 de dezembro de 2013
[Política da Educação] Notas do semestre 2013-2
O link com as notas estão com a Ana Melinha, nossa colega de turma. Ela deve passar para vocês. Mas, quem quiser é só me solicitar por e-mail (marcos_marques@id.uff.br).
Att. Marcos Marques
14 de novembro de 2013
[Política da Educação] Temas, textos e datas dos seminários - versão final
Segue a nova programação dos seminários:
- Grupo 1 (09/12)
Tema: "Empresários da Educação: o interregno democrático e o ocaso da ditadura"
Texto-base:
OLIVEIRA, Marcos Marques de. Os empresários da educação e o sindicalismo patronal: o Sindicato dos Estabelecimentos de Ensino no Estado do Rio de Janeiro (1944-1990). Bragança Paulista, SP: EdUSF, 2000. (Parte 2, Capítulo 1)
- Grupo 4 (16/12):
Tema: "A reforma universitária no Governo Lula"
Texto-base:
LIMA, Kátia. A reforma universitária no Governo Lula: o relançamento do conceito de público não-estatal. In: NEVES, Lúcia. Reforma universitária do governo Lula: reflexões para o debate. SP: Xamã, 2004.
- Grupo 5 (16/12):
Tema: "Reforma do Estado, descentralização e municipalização do ensino no brasil".
Texto-base:
FARIA, Lia; SOUZA, Donaldo. Reforma do Estado, Descentralização e Municipalização do Ensino no Brasil: A Gestão Política dos Sistemas Públicos de Ensino Pós-LDB 9.394/96. Ensaio: aval. pol. públ. Educ., Rio de Janeiro, v.12, n.45, p. 925-944, out./dez. 2004.
- Movimentos sociais na contemporaneidade, de Maria da Glória Gohn.
- Crise da ideologia, por Leonardo Avritzer (Revista Cult).
- O Plano de Desenvolvimento da Educação (PDE), do Governo Federal.
10 de outubro de 2013
[Política da Educação] Próximas aulas (28/10, 04/11 e 11/11) e avaliação
Prezados alunos,
Após o recesso do dia 14/10 (Dia do Servidor - Antecipação) e a Agenda Acadêmica no dia 21/10, retornaremos às aulas no dia 28/10, dando continuidade ao tópico "Estado e sociedade no desenvolvimento do capitalismo", debatendo o texto "Fundamentos da política e da sociedade brasileiras", de José Murilo de Carvalho (que está na pasta).
Como leitura complementar, sugerimos estes dois artigos publicados no jornal O Globo:
- "Complexocracia", de Francisco Bosco.
- "Discurso de abertura na Feira de Livros de Frankfurt", de Luiz Ruffato.
A seguir, no dia 04/11, assistiremos ao filme "Jango", de Silvio Tendler, que trata de um dos principais personagens da política brasileira do século XX. A partir deste filme, teremos o seguinte exercício avaliativo:
- "Minha visão de Brasil". Resenha reflexiva a ser entregue no dia 11/11/2013.
O que é uma resenha?
- Abordagem que se propõe a construção de relações entre as propriedades de um objeto analisado [o filme], descrevendo-o e enumerando aspectos considerados relevantes sobre ele. Pode ser texto de origem opinativa e, portanto, reúne comentários de origem pessoal e julgamentos do resenhador sobre o valor do que é analisado.
Até lá!
Prof. Marcos Marques
2 de outubro de 2013
[Politica da Educação] Índice de Capital Humano: Brasil em 57º lugar
Segue indicação de matéria sobre mais um índice, relacionado à Educação, como estamos debatendo nesses primeiros dias do curso: agora o ICH, Índice de Capital Humano.
E aqui, o artigo "Complexocracia", de Francisco Bosco, que ilustra, de alguma forma, os preceitos althusserianos e foucaultianos que Miriam Limoeiro Cardoso utiliza - como estamos vendo em um de seus trabalhos - da subsunção da realidade capitalista por uma determinada ideologia.
Att. Marcos Marques
Prof. Sociologia (IEAR/UFF)
18 de setembro de 2013
[Política da Educação] Textos para a aula do dia 23 set 2013
Seguem os dois textos indicados para a nossa próxima aula, "Estado e sociedade no desenvolvimento do capitalismo: os liberais e marxistas na construção do pensamento político, na conformação do Estado-Nação e suas conexões com a Educação":
- CARDOSO,Miriam Limoeiro. Sobre as relações sociais capitalistas. (pp. 17-36). In:NEVES, Lúcia; PRONKO, Marcela; SANTOS, Marco Antônio. Debates e Síntese do Seminário Fundamentos da Educação Escolar do Brasil Contemporâneo. RJ: ESPJV, 2007.
- O GLOBO. Carências na Saúde e Educação. O Globo, Opinião, p. 16, 12 set 2013.
Até lá!
Att. Marcos Marques
Prof. IEAR/UFF
13 de setembro de 2013
[Política da Educação] Dicas para a nossa primeira aula
Na próxima segunda, iniciamos o curso de "Política da Educação".
No link ao lado, o programa da disciplina.
E já para este primeiro encontro, indicamos o seguinte texto:
CARDOSO, Miriam Limoeiro. Sobre as relações sociais capitalistas. (pp. 17-36). In: NEVES, Lúcia; PRONKO, Marcela; SANTOS, Marco Antônio. Debates e Síntese do Seminário Fundamentos da Educação Escolar do Brasil Contemporâneo. RJ: ESPJV, 2007.
Até lá!
Att. Marcos Marques
Prof. de Sociologia (IEAR/UFF)
4 de setembro de 2013
[Dia do Livro] Sugestão: "Encontros com Paco Buey" (UFMT, 2013)
Prezados,
Foi lançado, no dia 10/09/2013, o livro Encontros com Paco Buey (EdUFMT, 2013), organizado por Artemis Torres e Márcia Pasuch, integrantes do Grupo de Pesquisa em Movimentos Sociais e Educação (GPMSE) da Universidade Federal do Mato Grosso (UFMT).
O lançamento integrou a programação do SEMIEDU 2013 (Seminário Internacional de Educação da UFMT), como uma das atividades do III Ciclo de Debates "Movimentos Sociais e Educação: Alterglobalização e Descolonialidade".
Do livro, que tem o objetivo de divulgar no Brasil a obra do filósofo espanhol responsável pela difusão de autores como Marx e Gramsci, participam pesquisadores de várias partes do mundo, tais como:
- Araceli Mondragón González, do Departamento de Relaciones Sociales da Universidad Autónoma Metropolitana do México;
- Jordi Mir, coordenador do Centro de Estudios sobre Movimientos Sociales (CEMS), da Universitat Pompeu Fabra (UPF), de Barcelona, Espanha;
- Jorge Luis Acanda, professor do Departamento de Filosofia da Universidad de La Habana, Cuba;
- Manuel S. Almeida Rodriguez, Catedrático Auxiliar na Escuela de Ciencias Sociales y Humanas de la Universidad del Este, em Carolina, Porto Rico;
- Victor Ríos, Pesquisador do Centro de Estudios sobre Movimientos Sociales (CEMS), da Universitat Pompeu Fabra (UPF), Barcelona, Espanha.
Entre os brasileiros, além das organizadoras e outros professores da UFMT:
- Carlos Cortez Romero, professor da Universidade Federal de Juiz de Fora (UFJF);
- Luiz Augusto Passos, coordenador, juntamente com Artemis Torres, do Grupo de Pesquisa em Movimentos Sociais e Educação (GPMSE), da UFMT.
- Luiz Sérgio Henriques, editor do site Gramsci e o Brasil.
E, por fim, minha colaboração, representando o NUFIPE/UFF, com o capítulo dois, intitulado: "Buey: um filósofo da práxis para o século XXI".
Fica aqui, portanto, nossa sugestão de leitura para o Dia do Livro, que comemorou-se no dia 29/10/2013.
Att. Marcos Marques de Oliveira
Prof. Sociologia IEAR/UFF
(Lançamento) Como Planejar, Escrever e Publicar na Universidade
hashtag Editado pela Escola Nacional de Administração Pública (Enap), em parceria com a Associação Brasileira de Ciência Política (ABCP), ...
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Leia o artigo completo
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O registro da minha conversa sobre #éticaempesquisa com os colegas da Revista ZIZ, editada pelos discentes do Programa de Pós-graduação em ...



