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"Sem dúvida, a Sociologia não valeria uma hora de trabalho... se não fosse para se atribuir a tarefa de restaurar às pessoas o significado de sua própria ação". [Pierre Bourdieu]
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25 de maio de 2018

[25/05/2018] Estudos dirigidos de Sociologia da Educação II e POEB

Prezad@s,

Como combinado, seguem os exercícios avaliativos, para serem entregues no dia 22/06/2018.

- Sociologia da Educação II;

- POEB.

Qualquer dúvida, só entrarem em contato.

Abs, Marcos Marques

1 de maio de 2018

[Artigo] Na esteira do Katrina: o Leviatã neoliberal**



Marcos Marques de Oliveira*

Sejamos o lobo do lobo homem. (Língua, Caetano Veloso)

De vez em quando, a imprensa lança mão de cientistas sociais para aprofundar o tratamento dos fatos que noticia. Raramente, porém, faz citações diretas dos clássicos do pensamento político, sociológico ou antropológico. Na rabeira do furacão Katrina, temos um exemplo dessa interessante exceção com a matéria ‘Depois da tragédia, a degradação da alma humana’, de Renato Galeno (O Globo, 4/9/2005).
Na busca de compreender o caos que tomou conta de Nova Orleans (as cenas de saques, roubos, resistência armada à ajuda oficial etc.), o jornalista advoga a hipótese de ‘retorno’ ao Estado de natureza descrito pelo filósofo inglês Thomas Hobbes (1588-1679). Nesse Estado, no qual os homens viveriam numa ‘guerra de todos contra todos’, as noções de certo e errado, de justiça e injustiça, não têm mais lugar, já que não há precedência de um poder ‘soberano’ capaz de apaziguar as incontroláveis paixões humanas. Nessa visão competitiva da vida, em que ‘o homem é o lobo do homem’, a utilidade é a medida do direito. O resultado desse processo é uma vida de extrema solidão, pobreza e sordidez. O pior: o tempo de existência é bastante curto.
Contrapondo-se à definição aristotélica do homem como ‘animal político’, Hobbes clama a seus contemporâneos por um exame de consciência sobre a inadequação do mito da sociabilidade natural da espécie humana. O que ele quer indicar é que a falta de quem controle o egoísmo dos indivíduos, a própria idéia de sociabilidade é impossível. Feito isso, à multidão, para existir, passa a se chamar ‘Estado’, gerando o grande Leviatã da metáfora bíblica.
Selva de Estados
No entanto, mais do que a defesa da hipótese da ‘necessidade do poder coercitivo do Estado’, como faz um entrevistado por Galeno (o professor de relações internacionais Williams Gonçalves, da Universidade Federal Fluminense), os acontecimentos de Nova Orleans destacam-se pelo inusitado, já que, como afirma um outro especialista (Moacir Duarte, da Coppe/UFRJ), a violência e a barbárie ali apresentadas são exceção, e não a regra na história das grandes catástrofes e, possivelmente, refletem as condições sociais específicas da sociedade norte-americana.
Nas palavras de José Vicente Tavares dos Santos, presidente da Associação Latino-Americana de Sociologia, os efeitos do Katrina expressam uma profunda crise da sociedade contemporânea.
A meu ver, é justamente no entendimento destas últimas questões que a herança hobbesiana mais contribui. Aperfeiçoando Maquiavel, Hobbes demonstra, acima de tudo, que o poder não é um simples fenômeno de força, mas uma força institucionalizada canalizada pelo direito. Indica ainda que, mesmo com o provável sucesso dos Leviatãs em níveis nacionais, a humanidade permaneceria numa ‘selva de Estados’.
Risco permanente da morte
Na análise das relações internacionais nos dias de hoje, quando da hegemonia do pensamento ‘neoliberal’, no qual se proclama o suposto enfraquecimento dos Estados nacionais, poderíamos utilizar as palavras de Hobbes para descrever o cenário que parece reduzido às prescrições de um novo Estado de natureza.
A alternativa pensada por ele, de que o medo da destruição recíproca acabe por convencê-los da necessidade de sair de tal Estado, algo similar com que o mundo viveu no século 20 durante a chamada Guerra Fria e o que parecia ser o papel da Organização das Nações Unidas, parece hoje de difícil concretização, já que tudo conflui para o fortalecimento de um só Leviatã: o conjunto das 20 nações desenvolvidas onde estão as sedes das organizações financeiras e industriais, nas quais vivem o 1/6 da população mundial que detêm 80% de toda riqueza mundial.
E se em nível internacional um Estado de natureza latente se torna cada vez mais manifesto – aguçado justamente pela política externa do líder do grupo das nações desenvolvidas, que ao pretender exportar sua versão da ‘democracia’ pela força acaba por corroer as frágeis linhas do direito internacional ainda em construção, colaborando para criar um clima de ‘terror’ que não deixa imune os seus próprios súditos (vide os aviões de Nova York e as bombas de Madri e Londres) –, nos níveis nacionais, especialmente nos países de grandes desigualdades estruturais, a vida dos indivíduos se assemelha muito à guerra civil descrita por Hobbes, o que qualquer passeio pelas periferias das grandes necrópoles latino-americanas, africanas e asiáticas pode constatar: o temor e o risco permanentes da morte violenta, com o que a vida dos homens se torna ‘solitária, laboriosa, difícil, quase animal, e breve’.
Força e astúcia
As ilhas de soberania de bem-estar, protegidas por suas milícias privadas ou pela segurança pública privatizada, apenas confirmam a regra, como é o caso extremo do Brasil, em que os 10% mais ricos possuem renda 32 vezes maior do que os 40% mais pobres, segundo os dados do novo relatório da ONU sobre a desigualdade social. E de acordo com o brasileiro Roberto Guimarães, organizador do Relatório sobre a ‘Situação Social Mundial 2005’, o fantasma da desigualdade, mais explosiva do que a pobreza na impulsão das crises sociais (como já ensinava Hobbes), não é mais privilégio dos países pobres: ela ‘aumenta nos EUA, no Canadá, nos países nórdicos’ (‘Reduzir pobreza é ilusão, diz pesquisador’. Folha de S. Paulo, 27/8/2005).
Talvez isso explique a singularidade da degeneração social de Nova Orleans após os ventos e as águas do furacão Katrina – cujos efeitos foram agravados pela reconhecida inoperância egoística do presidente George Bush, que privilegia as indústrias da guerra e do petróleo em detrimento do bem-estar de seu próprio povo (‘Uma cidade a ser reerguida’ e ‘Especialistas: política ambiental de Bush pode levar a mais desastres’, O Globo, 4/9/2005).
Por contradição, o Leviatã ‘neoliberal’, criado nos estertores do welfare state e do ‘socialismo real’, é um ente dotado de grande poder de intervenção na vida dos súditos involuntários, ao contrário do que propagam as apologias do ‘livre mercado’. Um poder que termina por conformar um novo Estado de natureza, na qual vigem as leis da força e da astúcia, propagando-se a idéia de que cada homem só deve possuir aquilo de que pode apoderar-se.
Controlador do ‘soberano’
Ou seja, vivemos sob a égide de um soberano de poder absoluto sobre o qual não temos nenhum controle efetivo e do qual, ao contrário do Leviatã de Hobbes (o que contraria a pecha de ‘maldito’ posto pela leitura burguesa sobre o pensador inglês), não podemos esperar o cumprimento de nenhum dever de caráter social, já que sua preocupação única parece ser o atendimento dos apetites dos lobos especulativos do capital ‘transnacional’ (vale lembrar) associado aos seus parceiros intranacionais. Ao contrário, nessa reedição das condições ‘neocoloniais’, bens públicos como educação, segurança, saúde e previdência estão sob o risco permanente de se tornarem ‘serviços’ de prestação privada, fazendo com a grande massa fique à mercê dos interesses e da caridade dos particulares – situação que o Estado hobbesiano combatia.
A lembrança solitária das reflexões filosóficas (ou de ‘política civil’) de Thomas Hobbes está longe, certamente, de nos oferecer todos os instrumentos necessários para enfrentarmos os desafios e os dilemas da contemporaneidade. Mas, a recuperação de seu pensamento, assim como de outros ‘clássicos’, pode nos ajudar como exercício teórico para a melhor avaliação dos discursos e das práticas políticas atuais. No seu caso específico, vale a lição de que não há sociabilidade natural entre os homens e que está é sempre passível de observação, ciência e intervenção.
Temos, portanto, condições de sermos ‘o lobo do lobo do homem’. Que a mídia deixe seu tradicional papel de conformador dos ‘súditos’ e passe a controlar o ‘soberano’ (não o ‘Estado’, mas as relações de forças capitais que o instituem), eis o meu (fastio, confesso) desejo.
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* Jornalista e cientista político

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* Texto publicado originalmente no Observatório da Imprensa, em 06/09/2005, na edição 345. Link: http://observatoriodaimprensa.com.br/ciencia/o-leviata-neoliberal/

23 de abril de 2018

[Política e Organização da Educação no Brasil] Cronograma: nossos próximos passos (Retificado)

Olá, Pessoal.

Segue, como combinado, nosso cronograma acordado na última aula:

04/mai - 2. Tempos de Capanema: centralização e descentralização na política educacional da Era Vargas. [Aula Expositiva + Divisão de Seminários]

11/mai - 3. A nossa primeira LDB (1961): o público e o privado na Educação Brasileira.

18/mai - 4. Educação e ideologia tecnocrática na ditadura militar. [Aula Expositiva]

25/mai - 5. Educação e redemocratização: o processo constituinte de 1987. [Aula Expositiva]

01/jun - Corpus Christi [Feriado]

08/jun - Semana Acadêmica do IEAR [Evento Letivo]

15/jun - Avaliação 1

22/jun - Seminários [Grupos 1 e 2]

29/jun - Seminários [Grupos 3 e 4]

06/jul - Seminários [Grupos 5 e 6]

13/07 - Seminários [Grupos 7 e 8]

Lembramos, enfim, também como avisado, que por motivo de agenda do professor junto à Coordenação de Pós-Graduação em Educação da UFF, não teremos aula no dia 27/04/2018.

Att. Marcos Marques

[Sociologia da Educação II] Cronograma: nossos próximos passos

Olá, Pessoal.

Segue, como combinado, nosso cronograma acordado na última aula:

04/mai - 2. A Sociologia da Educação no Brasil: os pioneiros e a Escola Paulista de Sociologia [Aula Expositiva + Divisão de Seminários]

11/mai - 2. A Sociologia da Educação no Brasil: os pioneiros e a Escola Paulista de Sociologia SE no Brasil [Continuação]

18/mai - 3. A Teoria da Reprodução: o impacto da obra de Pierre Bourdieu no Brasil [Aula Expositiva]

25/mai - 4. Outras escolas sociológicas: Chicago e Frankfurt [Aula Expositiva]

01/jun - Corpus Christi [Feriado]

08/jun - Semana Acadêmica do IEAR [Evento Letivo]

15/jun - Avaliação 1

22/jun - Seminários [Grupos 1 e 2]

29/jun - Seminários [Grupos 3 e 4]

06/jul - Seminários [Grupos 5 e 6]

13/jul - Seminários [Grupos 7 e 8]

Lembramos, enfim, também como avisado, que por motivo de agenda do professor junto à Coordenação de Pós-Graduação em Educação da UFF, não teremos aula no dia 27/04/2018.

Att. Marcos Marques


[24/04/2018] CPE: Avaliação I e Divisão de Seminários

Prezad@s,

A nossa primeira avaliação será uma "Redação", de até 3 laudas jornalísticas (1400 caracteres cada), sobre o seguinte tema: "A minha concepção de democracia".

Para a confecção deste pequeno ensaio, que objetiva estimular uma reflexão individualizada sobre o sentido e a validade da democracia entre educadores em formação, é indicada a incorporação das questões fundamentais levantadas nos dois primeiros tópicos do nosso curso:

1. Fundamentos históricos e filosóficos sobre o nascimento da política.

2. Dos impérios de Roma: a longa tradição do catolicismo como tentativa de governo do mundo.

Outra fonte alternativa para o exercício pode ser encontrada em "Vantagens do sistema político ocidental", artigo de Steven Pinker, publicado na Folha de S. Paulo no último domingo - texto, inclusive, que será tema do debate que travaremos no dia 08/05/2018, data de entrega desta avaliação.

Qualquer dúvida, falaremos sobre isso no nosso encontro de amanhã (23/04/2018), às 18h, quando apreciaremos o filme "Martinho Lutero".

E, por fim, segue as datas combinadas dos seminários, nossa segunda etapa avaliativa:

15/05 - 3. O surgimento do Estado Moderno: a política como ciência da vida em sociedade

22/05 - 4. Racionalismo, Sociabilidade e Ordem Política: o Leviatã de Thomas Hobbes

29/05 - 5. Servidão e liberdade: os dilemas de John Locke e Jean-Jacques Rousseau

05/06 - 6. Estados Unidos: o nascimento contraditório de uma nação “livre”

12/06 - 7. Virtudes e vícios do capitalismo e a dialética da revolução: a dimensão política do socialismo “científico”

19/06 - 8. Virtudes e vícios do capitalismo e a dialética da revolução: a dimensão política do socialismo “científico”

26/06 - 9. A jaula de ferro: capitalismo e socialismo como distopias da sociabilidade e da política em Max Weber

03/07 - 10. O pensamento educacional de Florestan Fernandes: ciência e política como base de uma pedagogia socialista

Lembramos que os grupos devem ter, no máximo, 5 integrantes - identificados pelos líderes identificados na nossa última aula. Além da apresentação, será exigida a entrega de um fichamento dos textos-base de cada tópico.

E é bom também não esquecer da importância da presença de todos, por dois motivos: 1) o (auto)controle da frequência exigida para a aprovação no curso; b) e o fato de que os conteúdos poderão formar a base avaliativa da nossa VS (Verificação Suplementar), se for o caso.

É isso!

Att. Marcos Marques

[25/05/2018] Estudos dirigidos de Sociologia da Educação II e POEB

Prezad@s, Como combinado, seguem os exercícios avaliativos, para serem entregues no dia 22/06/2018. - Sociologia da Educação II ; - PO...