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"Sem dúvida, a Sociologia não valeria uma hora de trabalho... se não fosse para se atribuir a tarefa de restaurar às pessoas o significado de sua própria ação". [Pierre Bourdieu]
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28 de fevereiro de 2012

"Gramsci e os movimentos populares" é lançado na Feira do Livro em Bogotá



A EDUFF estará presente na 25ª Feira Internacional do Livro de Bogotá, que acontecerá de 18 de abril a 1º de maio, na Colômbia. O país homenageado este ano é o Brasil.

Entre os lançamentos da EDUFF, destaque para "Gramsci e os movimentos populares", livro organizado pelos professores Giovanni Semeraro, Marcos Marques, Percival Silva e Sônia Leitão que traz artigos de especialistas que analisam a influência do pensamento gramsciano nos movimentos sociais latino-americanos.

O livro, com textos em português e espanhol, é, na verdade, uma compilação dos trabalhos apresentados no seminário homônimo, realizado em setembro de 2010 na Faculdade de Educação da UFF, pelo Núcleo de Estudos em Filosofia, Política e Educação (NUFIPE), do qual fazem parte os organizadores.

Quem estará representando o grupo é Álvaro Oviedo Hernandez, professor da Pontifícia Universidade Javeriana de Bogotá, que participa no livro com o artigo "El sindicalismo colombiano entre la hegemonía y la independencia clasista".

A publicação pode ser encontrada no site www.editora.uff.br, em versão impressa (R$ 40,00) ou e-book (R$ 7,00).

Já os novos alunos da UFF, os calouros de Graduação, Mestrado e Doutorado, podem obter gratuitamente um exemplar impresso através do programa "Bem-vindo, Calouro". Para alunos de Niterói, é só fazer o pedido na Livraria da EDUFF do Gragoatá. Para alunos das unidades do interior, o pedido deve ser feito na secretaria do campus



Curso de Extensão: Filosofia & Cinema


27 de fevereiro de 2012

"Prefácio" imaginário de "O Ateneu"

Intenso e belo depoimento do acadêmico Alberto da Costa e Silva sobre o livro "O Ateneu", do escritor angrense Raul Pompéia, ao Instituto Moreira Salles (IMS).


Ouça aqui.

22 de fevereiro de 2012

IBASE seleciona universitários para pesquisa no Comperj


O Ibase está selecionando profissionais para atuar como entrevistadores na realização de pesquisa quantitativa nos 14 municípios da área de influência do Comperj (Itaboraí, São Gonçalo, Niterói, Maricá, Saquarema, Tanguá, Rio Bonito, Silva Jardim, Casimiro de Abreu, Cachoeiras de Macacu, Magé, Guapimirim, Teresópolis e Nova Friburgo).

Período de duração: março/2012, a partir do dia 12/03, que inclui treinamento de três dias no município do Rio de Janeiro.

Função: aplicação de um questionário fechado em uma pesquisa amostral de fluxo, nos 14 municípios mencionados.

São consideradas caraterísticas necessárias:
- ser estudante universitário das áreas de Ciências Humanas ou da Saúde, maior de 18 anos e estar cursando pelo menos o 4º período;
- disponibilidade integral no mês de março a partir do dia 12, incluindo possíveis viagens;
-  Residir em um dos 14 municípios em estudo;
-  Possuir conta bancária;
-  Experiência com pesquisa quantitativa.
           
Os interessados devem encaminhar Curriculum Vitae até o dia 29/02/2012 para o endereço eletrônico incid@ibase.br, com cópia para cfreitas@ibase.br, com o assunto “Seleção de entrevistadores Painel 3”.

13 de fevereiro de 2012

10 de fevereiro de 2012

Energia Nuclear: sinal verde para o futuro?

Por Marcos Marques de Oliveira*




"A linguagem de autoridade governa sob condição de contar com a colaboração daqueles a quem governa, ou seja, graças à assistência dos mecanismos sociais capazes de produzir tal cumplicidade, fundada por sua vez no desconhecimento, queconstitui o princípio de toda e qualquer autoridade." (Pierre Bourdieu, A economia das trocas linguísticas. São Paulo: Edusp, 1996, p. 91)

Vinte quatro anos depois de sua "pedra fundamental", sai, enfim, a notícia: "Sinal verde para Angra 3 [ORDOÑEZ, Ramona. "Sinal verde para Angra 3". O Globo, 01 de junho de 2010]". Embebido por leituras que buscam me orientar no desafio profissional que abracei desde outubro último, quando assumi cargo de docente na chamada "Região da Costa Verde", lembrei-me de cara da "etnografia pioneira" de Glaúcia Oliveira da Silva, que em seu já clássico Angra I e a melancolia de uma era fez um estudo sobre a construção social do risco na primeira usina nuclear brasileira.


No livro, publicado em 1999, a antropóloga, através de uma observação direta e participante, busca compreender como a interiorização das relações sociais pelos agentes da usina, as redes de sociabilidade atravessadas por relações hierárquicas e a dinâmica das "fofocas" no entorno revelam as tensões locais dessa indústria considerada por muitos, tais como a pesquisadora Françoise Zonabend, o "mal indizível".


Para tanto, Silva percorre, em sua pesquisa, as linhas gerais dos debates que perfizeram o "Programa Nuclear Brasileiro" (especialmente a sua alternativa "pacífica", voltada exclusivamente para a produção de energia), analisa as representações sociais dos moradores das vilas circunvizinhas criadas pela própria empreitada, destrincha as relações de trabalho dentro da usina, aborda a forma com que trabalhadores (e outros agentes, tais como as famílias destes) pensam a questão do risco nuclear oferecido pela empresa que os sustém e, por fim, faz um exercício comparativo entre os modos "tupiniquim" e francês de lidar com esse tipo de atividade.


Uma adesão com ares ecológicos

Longe de "falar bem" ou "falar mal" da energia nuclear, bem distante de uma condenação (ou absolvição) técnica sobre os perigos da usina em questão ("uma vez que eu não tinha instrumental para isto", salienta a antropóloga, na página 24 de sua apresentação), a obra de Silva estimula-nos uma sofisticada reflexão sobre como a ideia de "risco" é, mais do que uma percepção individual, um construto social atravessado pelas disputas ideológicas que buscam balizar e legitimar as decisões políticas favoráveis (ou não) a este e outros tipos de tecnologia que impactam a vida de todos nós.


Um sintoma, pois, de nossa moderna delegação de confiança ao que Anthony Giddens, sociólogo inglês, chamou de "sistemas peritos", que na dita "pós-modernidade", imposta em nós e a todos nós, parecem feitas para produzir uma distância ampliada e amplificada entre o senso comum hiper-informado (nem por isso bem formado) e os órgãos portadores da chamada "racionalidade técnica" que se superpõem aos cada vez mais complexos e confusos agrupamentos humanos – e que assumem, no caso das sociedades contemporâneas, o seu limite com a busca de saciar nossa sede de consumo com a produção de energia, especialmente a nuclear.


Elas [as sociedades contemporâneas] exploram uma forma de energia – a do átomo – trazendo em si a capacidade de destruição absoluta ou, quando mais pacificada, de risco. Elas sentem a limitação de recursos em matérias-primas e energéticas, e estão envolvidas em uma guerra econômica endêmica. Elas se descobrem – e o confessam mais ou menos – culpadas de poluições e depredações da natureza (BALANDIER, 1982, p. 15) [Apud SILVA, Gláucia Oliveira. Angra I e a melancolia de uma era. Niterói, RJ: EdUFF, 1999].


Nesse sentido, a mais aguda surpresa que a releitura da obra de Silva revela é a mudança abrupta no posicionamento da mídia hegemônica frente à produção de energia nuclear. Ao invés da antiga postura alarmista e depreciativa dos tempos de Angra I e II (motivada, na voz dos que defendiam e dependiam das usinas, por "ignorância" ou "interesse") um rápido olhar sobre as manchetes relativas à recente licença concedida para a construção de Angra III denotam uma adesão, sem pudor, ao mote de que é hora desse tipo de atividade "deslanchar" [DELMAS, Maria Fernanda. "Angra 3, agora, tem que deslanchar". O Globo, 02 de junho de 2010].


Em tempos de "desenvolvimento sustentável", vale ressaltar, essa adesão ganha ares ecológicos, já que, sob esse prisma, os "boicotes" da suposta indústria ambientalista levariam o país a sujar "sua matriz energética com térmicas a carvão e óleo" ["Rumo ao apagão". O Globo, 02 de junho de 2010].

Um futuro cada vez mais verde


O que o título ("Rumo ao apagão") desse editorial, em tom de – me desculpem o exagero – quase-chantagem, não consegue esconder, é que o que não se pode colocar em xeque é, justamente, o mito do "desenvolvimentismo" – criador, per si, de bem-estar social (para quem?).


Em nome desse dogma, parecem ter se tornado supérfluos as arguições sobre: o destino dos resíduos nucleares (o "lixo nuclear" ainda não aproveitável); a necessidade de um novo plano de evacuação em caso de vazamento (risco que aumenta, obviamente, com mais uma nova usina e com as atuais condições de tráfego na sôfrega Rio-Santos); os impactos sócio-econômicos numa região com graves problemas ambientais, com destaque para as ocupações – de ricos e pobres – nas muitas e belas encostas de Mata Atlântica (ainda não recuperadas das chuvas do início do ano); e, entre outras questões "menores", a possibilidade (ou não!) de reedição de equívocos na compra dos pacotes tecnológicos – relembrando, por exemplo, o golpe turn-key (entrega da usina "fechada") pelos norte-americanos, no caso de Angra I.


Pelo menos é o que se pode concluir da repercussão jornalística até o momento, que nada mais fez do que comemorar o fato da "rejeição à energia nuclear", hoje, ser menor do que antes. Sem se perguntar dos porquês desse fenômeno, tal mídia acaba por se "reduzir" a um simples instrumento de reprodução de poder, tornando-se o "sistema-perito mor" de nosso "senso comum". Reforça, assim, a eficácia dos saberes que difunde como instrumento de dominação simbólica (social, política e econômica) – portadora, portanto, de uma suave "linguagem de autoridade", com já bem definida por um saudoso sociólogo francês, citado na epígrafe desse artigo.


Oxalá eu esteja em engano pela pressa (e ansiedade) e, em breve, veja nas páginas dos nossos jornais (e sites!) debates mais aprofundados sobre os aspectos, positivos (por que não?) e negativos, que envolvem a construção de mais uma usina nuclear em Angra dos Reis. Ganharemos, com isso, em termos sociais, melhores condições para a produção de verdes sinais para um futuro cada vez mais verde.


* Artigo publicado originalmente no Observatório da Imprensa, em 15 de junho de 2010.

4 de fevereiro de 2012

Pré-Vestibular gratuito da UFF em Niterói e SG

Estão abertas as inscrições para o curso Pré-Universitário Oficina do Saber foi prorrogado até 10 de fevereiro. Os interessados poderão inscrever-se das 14h30 às 18h, no seguinte endereço: Av. Jansen de Mello, 174, Centro, Niterói (próximo ao 12º Batalhão de Polícia Militar .

O curso pré-vestibular é gratuito e dirigido prioritariamente a candidatos oriundos de escolas públicas e de famílias de menor poder aquisitivo que já concluíram ou que deverão concluir o ensino médio este ano.

Mais informações em: http://www.noticias.uff.br/noticias/2012/02/oficina-do-saber-inscricoes-prorrogadas.php

Abs, Marcos Marques

3 de fevereiro de 2012

Pedagogia (IEAR/UFF): inscrições on-line até o dia 08/02

Pessoal,


Não se esqueçam da inscrição on-line nas disciplinas desse primeiro semestre para o nosso Curso de Pedagogia do IEAR.


No IdUFF, é possível fazer também a avaliação do semestre passado, incluindo disciplinas, atendimento nas secretarias e espaço físico. É importante a participação para melhorar-mos o nosso trabalho.

 
Nesse semestre, por causa dos horários da Chefia Departamental, não oferecerei optativas. Mas, para o segundo semestre, penso em duas possibilidades: repetir "Educação do Campo"; ou oferecer o "O pensamento pedagógico de Antonio Gramsci".


No mais, nos encontramos no dia 05 de março, quando as aulas começam.

 
Forte abraço,

 
Prof. Marcos Marques.

É possível uma nova "extensão rural"?

Por Marcos Marques de Oliveira

Documento recente, referente ao seminário “O estado da arte do ensino de extensão rural no Brasil”, realizado por pesquisadores da Secretaria de Agricultura Familiar do Ministério do Desenvolvimento Agrário (SAF/MDA) e do Programa de Extensão Rural de Desenvolvimento Local da Universidade Federal Rural de Pernambuco, traz uma importante reflexão sobre os 60 anos da chamada “extensão rural” no Brasil.

Iniciadas no final da década de 1940, as primeiras experiências extensionistas em Minas Gerais e São Paulo, capitaneadas por agrônomos, médicos veterinários e economistas domésticos, produziram nos anos que seguiram efeitos contraditórios no processo de desenvolvimento rural do país.

De positivo, considera-se que, pela primeira vez, o Estado chegou aos rincões, levando a uma parcela significativa de agricultores informações e conhecimentos para o aperfeiçoamento da produção e comercialização – e, por consequência, da melhoria de condições de vida no campo.

Isso se deu, vale ressaltar, pelo investimento em monocultivos tecnificados, que estimulou a criação de um dinâmico mercado agroexportador. Porém, por seu caráter seletivo e excludente, assim como por sua despreocupação com as questões ambientais, o saldo do processo, como afirmam Marcelo Miná Dias e Ângelo Brás Fernandes Callou na apresentação da respectiva pesquisa, é bastante negativo:

“A modernização associou-se, de modo indelével, à concentração da propriedade de terra, à precarização das relações de trabalho no campo, ao êxodo rural, ao inchaço das periferias de médias e grandes cidades e à degradação ambiental. A percepção desse fato fortaleceu a necessidade de repensar modelos de desenvolvimento e concepções e práticas de Extensão”.

No campo de ensino da Extensão Rural, as tentativas de rompimento com esse “difusionismo modernizador da agricultura” se ensaiam desde no final da década de 1970, sob impacto do processo de redemocratização da sociedade brasileira e a influência do pensamento pedagógico de Paulo Freire. Na busca de um novo perfil profissional para o extensionista, levava-se em conta a ampliação das lutas pela reforma agrária, a inserção crítica na realidade rural, os diferentes anseios dos diversos grupos sociais do campo, as variadas formas de organização dos movimentos populares e, entre outras fatores, uma noção de desenvolvimento não exaurida em sua dimensão econômica.

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“A modernização associou-se, de modo indelével, à concentração da propriedade de terra, à precarização das relações de trabalho no campo, ao êxodo rural, ao inchaço das periferias de médias e grandes cidades e à degradação ambiental. A percepção desse fato fortaleceu a necessidade de repensar modelos de desenvolvimento e concepções e práticas de Extensão”.

Marcelo Miná Dias, Professor da UFV

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Em suas conclusões, porém, a referida pesquisa aponta para uma insatisfatória mudança no quadro de formação dos extensionistas nos últimos 30 anos. Especialmente pela tímida incorporação de temas caros (“novas ruralidades”, “agroecologia”, “desenvolvimento local”, “associativismo e cooperativismo”, “metodologias participativas” e, entre outros, “gênero, geração e etnias”) da atual agenda dos debates de desenvolvimento rural (nacional e internacional) na maior parte dos programas e disciplinas de Extensão Rural.

Frente à verificação da desarticulação entre o ensino, a pesquisa e a extensão universitária no conjunto das atividades relacionadas à Extensão Rural, os pesquisadores arrolam algumas importantes questões. Questionam, por exemplo, sobre as insuficiências dessa lacuna na formação dos extensionistas e, principalmente, de que maneira a pesquisa e a extensão (consideradas mais avançadas) podem contribuir para uma real mudança qualitativa no ensino oferecido pelas universidades – a par do que já está expresso na Política Nacional de Assistência Técnica e Extensão Rural (PNATER).

A partir dos ensinamentos adquiridos na nossa micro-experiência com o projeto-piloto de implementação do Programa Empreendedorismo do Jovem Rural (PEJR) na região de Campos Novos e Joaçaba, numa parceria do Instituto Souza Cruz com a Empresa de Pesquisa Agropecuária e Extensão Rural de Santa Catarina (EPAGRI), podemos apontar que as inovações no “vocabulário extensionista” devem contemplar uma preocupação mais aguda com a formação das novas gerações de agricultores familiares.

Assim, ao lado de temos como “desenvolvimento sustentável”, “comunicação participativa”, “novas ruralidades” e “agroecologia” – que estão substituindo ou articulando-se com “dias de campo”, “grupos 4-H (head, heart, hand, health)”, “melhoria das condições de vida” e “programas de rádio”, entre outros antigos jargões – deve-se aportar esforços para um melhor incorporação das questões relativas aos que vão dar continuidade às unidades familiares de produção: os jovens rurais.

Se a “nova” Extensão Rural brasileira conseguir dialogar com esse ator, estarão abertos os caminhos para a concretização de um desenvolvimento agrícola verdadeiramente sustentável, que aposta na modernização não só das técnicas de produção e comercialização, mas também das relações sociais no campo – em prol de uma agricultura economicamente produtiva e, ao mesmo tempo, socialmente justa na redistribuição das riquezas semeadas, cultivadas e colhidas pelos empreendedores rurais que lá vivem e trabalham.

* Artigo publicado originalmente no site Agrolink, em 03 de fevereiro de 2009, sob o título "Novo vocabulário da Extensão Rural".