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"Sem dúvida, a Sociologia não valeria uma hora de trabalho... se não fosse para se atribuir a tarefa de restaurar às pessoas o significado de sua própria ação". [Pierre Bourdieu]
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31 de outubro de 2012

Uma aula de Antropologia: "Educação e Direitos Humanos", com Prof. Roberto Kant de Lima

Prezados alunos,

Divido com vocês uma palestra do Prof. Roberto Kant de Lima, "Educação e Direitos Humanos", proferida no TEDxUFF, evento organizado por outro grande mestre da UFF, Prof. Júlio Tavares - dois mestres que tive (e tenho) na Antropologia da UFF.

Aos dois, minhas homenagens e agradecimentos por todas as lições aprendidas.

Marcos Marques
Prof. de Sociologia da Educação (IEAR/UFF)

24 de outubro de 2012

Manifesto em defesa da civilização


Diante do quadro de regressão social que atinge os países ditos desenvolvidos, com supressão progressiva de direitos, um grupo de economistas formados pela Unicamp decidiu elaborar um "Manifesto em Defesa da Civilização".

Assinaturas começaram a ser colhidas também pelo site Petição Pública e a iniciativa se
espalhou.

Eu assinei. Especialmente pela referência que faz ao Estado de Bem-Estar Social como momento de transformação revolucionária em direção a um outro modelo de sociedade.

Conferir: http://www.peticaopublica.com.br/PeticaoVer.aspx?pi=P2012N30206.

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MANIFESTO EM DEFESA DA CIVILIZAÇÃO

Vivemos hoje um período de profunda regressão social nos países ditos desenvolvidos. A crise atual apenas explicita a regressão e a torna mais dramática. Os exemplos multiplicam-se. Em Madri uma jovem de 33 anos, outrora funcionária dos Correios, vasculha o lixo colocado do lado de fora de um supermercado. Também em Girona, na Espanha, diante do mesmo problema a Prefeitura mandou colocar cadeados nas latas de lixo. O objetivo alegado é preservar a saúde das pessoas.

Em Atenas, na movimentada Praça Syntagma situada em frente ao Parlamento, Dimitris Christoulas, químico aposentado de 77 anos, atira contra a própria cabeça numa manhã de quarta-feira. Na nota de suicídio ele afirma ser essa a única solução digna possível frente a um Governo que aniquilou todas as chances de uma sobrevivência civilizada. Depois de anos de precários trabalhos temporários o italiano Angelo di Carlo, de 54 anos, ateou fogo a si próprio dentro de um carro estacionado em frente à sede de um órgão público de Bologna.

Em toda zona do euro cresce a prática medieval de anonimamente abandonar bebês dentro de caixas nas portas de hospitais e igrejas. A Inglaterra do Lord Beveridge, um dos inspiradores do Welfare State, vem cortando recorrentemente alguns serviços especializados para idosos e doentes terminais. Cortes substantivos no valor das aposentadorias e pensões constituem uma realidade cada vez mais presente para muitos integrantes da chamada comunidade europeia. Por toda a Europa, museus, teatros, bibliotecas e universidades públicas sofrem cortes sistemáticos em seus orçamentos. Em muitas empresas e órgãos públicos é cada vez mais comum a prática de trabalhar sem receber. Ainda oficialmente empregado é possível, ao menos, manter a esperança de um dia ter seus vencimentos efetivamente pagos. Em pior situação está o desempregado. Grande parte deles são jovens altamente qualificados.

A massa crescente de excluídos não é um fenômeno apenas europeu. O mesmo acontece nos EUA. Ali, mais do que em outros países, a taxa de desemprego tomada isoladamente não sintetiza mais a real situação do mercado de trabalho. A grande maioria daqueles que hoje estão empregados ocupam postos de trabalhos precários e em tempo parcial concentrados no setor de serviços. Grande parte dos postos mais qualificados e de melhor remuneração da indústria de transformação foram destruídos pela concorrência chinesa.

Nesse cenário, a classe média vai sendo espremida, a mobilidade social é para baixo e o mercado de trabalho vai ficando cada vez mais polarizado no país das oportunidades. No extremo superior, pouquíssimos executivos bem remunerados que têm sua renda diretamente atrelada ao mercado financeiro. No extremo inferior, uma massa de serviçais pessoais mal pagos sem nenhuma segurança, que vivem uma realidade não muito diferente dos mais de 100 milhões que recebem algum tipo de assistência direta do Estado. O Welfare State, ao invés de se espalhar pelo planeta, encampando as tradicionais hordas de excluídos, encolhe, aumentando a quantidade de deserdados.

Muitos dirão que essa situação será revertida com a suposta volta do crescimento econômico e a retomada do investimento na indústria de transformação nestes países. Não é verdade. É preciso aceitar rapidamente o seguinte fato: no capitalismo, o inevitável avanço do progresso tecnológico torna o trabalho redundante. O exponencial aumento da produtividade e da produção industrial é acompanhado pela constante redução da necessidade de trabalhadores diretos. Uma vez excluídos, reincorporam-se – aqueles que o conseguem – como serviçais baratos dentro de um circuito de renda comandado pelos detentores da maior parcela da riqueza disponível. Por isso mesmo, a crescente desigualdade de renda é funcional para explicar a dinâmica desse mercado de trabalho polarizado.

Diante desse quadro, uma pergunta torna-se inevitável: estamos nós, hoje, vivendo uma crise que nega os princípios fundamentais que regem a vida civilizada e democrática? E se isso for verdade: quanto tempo mais a humanidade suportará tamanha regressão?

A angústia torna-se ainda maior quando constatamos que as possibilidades de conforto material para a grande maioria da população deste planeta são reais. É preciso agradecer ao capitalismo, e ao seu desatinado desenvolvimento, pela exuberância de riqueza gerada. Ele proporcionou ao homem o domínio da natureza e uma espantosa capacidade de produzir em larga escala os bens essenciais para as satisfações das necessidades humanas imediatas. Diante dessa riqueza, é difícil encontrar razões para explicar a escassez de comida, de transporte, de saúde, de moradia, de segurança contra a velhice, etc. Numa expressão, escassez de bem estar!

Um bem estar que marcou os conhecidos “anos dourados” do capitalismo. A dolorosa experiência de duas grandes guerras e da depressão pós 1929, nos ensinou que deveríamos limitar e controlar as livres forças do mercado. Os grilhões colocados pela sociedade na economia explicam quase 30 anos de pleno emprego, aumento de salários e lucros e, principalmente, a consolidação e a expansão do chamado Estado de Bem Estar Social. Os direitos garantidos pelo Estado não deveriam ser apenas individuais, mas também coletivos. Vale dizer: sociais. Dessa maneira, ao mesmo tempo em que o direito à saúde, à previdência, à habitação, à assistência, à educação e ao trabalho eram universalizados, milhares de empregos públicos de médicos, enfermeiras, professores e tantos outros eram criados.

O Welfare State não pode ser interpretado como uma mera reforma do capitalismo, mas sim como uma grande transformação econômica, social e política. Ele é, nesse sentido, revolucionário. Não foi um presente de governos ou empresas, mas a consequência de potentes lutas sociais que conseguiram negociar a repartição da riqueza. Isso fica sintetizado na emergência de um Estado que institucionalizou a ética da solidariedade. O individuo cedeu lugar ao cidadão portador de direitos. No entanto, as gerações que cresceram sob o manto generoso da proteção social e do pleno emprego acabaram por naturalizar tais conquistas. As novas e prósperas classes médias esqueceram que seus pais e avós lutaram e morreram por isso. Um esquecimento que custa e custará muito caro às gerações atuais e futuras. Caminhamos para um Estado de Mal Estar Social!

Essa regressão social começou quando começamos a libertar a economia dos limites impostos pela sociedade, já no início dos anos 70. Sob o ideário liberal dos mercados, em nome da eficiência e da competição, a ética da solidariedade foi substituída pela ética da concorrência ou do desempenho. É o seu desempenho individual no mercado que define sua posição na sociedade: vencedor ou perdedor. Ainda que a grande maioria das pessoas seja perdedora e não concorra em condições de igualdade, não existem outras classificações possíveis. Não por acaso o principal slogan do movimento Occupy Wall Street é “somos os 99%”. Não por acaso, grande parte da população espanhola está indignada.

Mesmo em um país como o Brasil, a despeito dos importantes avanços econômicos e sociais recentes, a outrora chamada “dívida social” ainda é enorme e se expressa na precariedade que assola todos os níveis da vida nacional. Não se pode ignorar que esses caminhos tomados nos países centrais terão impactos sob essa jovem democracia que busca, ainda, universalizar os direitos de cidadania estabelecidos nos meados do século passado nas nações desenvolvidas.

Como então acreditar que precisamos escolher entre o caos e austeridade fiscal dos Estados, se essa austeridade é o próprio caos? Como aceitar que grande parte da carga tributária seja diretamente direcionada para as mãos do 1% detentor de carteiras de títulos financeiros? Por que a posse de tais papéis que representam direitos à apropriação da renda e da riqueza gerada pela totalidade da sociedade ganham preeminência diante das necessidades da vida dos cidadãos? Por que os homens do século XXI submetem aos ditames do ganho financeiro estéril o direito ao conforto, à educação e à cultura?

As respostas para tais questões não serão encontradas nos meios de comunicação de massa. Os espaços de informação e de formação da consciência política e coletiva foram ocupados por aparatos comprometidos com a força dos mais fortes e controlado pela hegemonia das banalidades. É mais importante perguntar o que o sujeito comeu no café da manhã do que promover reflexões sobre os rumos da humanidade.

A civilização precisa ser defendida! As promessas da modernidade ainda não foram entregues. A autonomia do indivíduo significa a liberdade de se auto-realizar. Algo impensável para o homem que precisa preocupar-se cotidianamente com sua sobrevivência física e material. Isso implica numa selvageria que deveria ficar restrita, por exemplo, a uma alcateia de lobos ferozes. Ao longo dos últimos de 200 anos de história do capitalismo, o homem controlou a natureza e criou um nível de riqueza capaz de garantir a sobrevivência e o bem estar de toda a população do planeta. Isso não pode ficar restrito para uma ínfima parte. Mesmo porque, o bem estar de um só é possível quando os demais à sua volta encontram-se na mesma situação. Caso contrário, a reação é inevitável, violenta e incontrolável. A liberdade só é possível com igualdade e respeito ao outro. É preciso colocar novamente em movimento as engrenagens da civilização. 

14 de outubro de 2012

Ensino indígena em debate

Veja aqui um episódio do Globo Educação sobre os desafios da Educação Indíngena no Brasil, especialmente sobre as dificuldades de unir as tradições culturais deste contingente importante de nossa população com a obrigatoriedade do ensino formal.

Participa do programa Domingos Barros Nobre, professor do IEAR/UFF.

11 de outubro de 2012

Encontro: Pesquisa em Educação Etnicorracial


Agenda Acadêmica UFF 2012: Programação de Angra dos Reis

A Agenda Acadêmica UFF é uma semana de atividades que visa difundir as ações de Pesquisa, Ensino e Extensão de professores, alunos e funcionários desta que é uma das maiores e melhores universidade do país.

Este ano ela ocorre de 15 a 19 de outubro, dentro da Semana Nacional de Ciência e Tecnologia do Governo Federal.

No pólo de Angra dos Reis, ela se chama Semana Acadêmica e Cultura do IEAR - a já famosa "SACI", que em sua segunda edição terá a seguinte programação:

15 de Outubro - 2ª Feira

14:00h
Abertura com apresentação da Cia das Artes Severinas.

15:00h às 17:00h
Sessão de Pôsteres – Apresentação de trabalhos de pesquisa, ensino e extensão dos estudantes do curso de Pedagogia do IEAR.

17:30h às 18:30h
Mesa: “Os projetos de Pesquisa, ensino e extensão do IEAR e os processos de formação:
panorama e debate sobre a Sessão de apresentação de Pôsteres".
Mediador: Alexandra Garcia

19:00h às 22:00h
Oficina: Pesquisa em sociologia política e história social da educação através de fontes históricas.
Coordenadora: Lorena Madruga Monteiro

16 de Outubro - 3ª Feira


15:00h às 16:00h
Apresentação musical da escola Municipal para Deficientes Visuais (EMDV).
Prof. Marcelo Aragão

16:00h às 17:30h
Oficina: Complexidade e acontecimento em filosofia com crianças da  Escola Municipal Cornelis Verolme - Angra dos Reis.
Coordenadoras: Dagmar de Mello e Silmara Marton

17:00h às 18:00h
Roda de conversas: Café com Curricúlo: conversas e experiências com as produções e práticas curriculares
Mediadora: Alexandra Garcia

19:00h
Grupo de violões de Angra.
Prof. Alex Santiago


20:00h às 21:00h
Oficina: leitura de imagens no ensino de ciências naturais.
Coordenadora: Francine Pinhão

20:00h às 21:00h
Oficina: Gramática da fantasia: oficina de invenção de histórias.
Coordenadora: Andrea Pavão

17 de Outubro - 4ª Feira



14:00h às 18:00h
Oficina: Escolha Profissional.
Coordenadora: Dayse Serra

15:00h às 16:00h
Palestra e vídeo documentário: "Casa de Correção" - reflexões sobre a  EJA  em situação de restrição e
privação de liberdade no Brasil.
Palestrante: Elionaldo Julião

19:00h às 21:00h
Palestra: Caminhos do coração: experiências místicas e o processo de autoconhecimento.
Palestrante: André Andrade Pereira



18 de outubro - 5ª feira 
15:00h às 16:00h
Palestra: Lima Barreto e Dostoiévski: Vozes Dissonantes.
Palestrante: André Dias

16:00h às 17:00h
Palestra: Prevenção de acidentes domésticos envolvendo bebês e crianças pequenas e a relação com as deficiências adquiridas.
Palestrante: Dayse Serra

16:00 às 17:00h
Oficina: Banda de Música
Coordenadora: Eliane Maria Vieira



17:00 às 18:00h
Palestra: A presença da  UFF na Ilha Grande e as mudanças em processo
Palestrante: Dagmar Mello e Onete Lopes

18:00h às 19:00h
Palestra: Avaliação pós-natal do bebê de risco: efeitos da intervenção precoce.
Palestrante: Dayse Serra

19:00h
Apresentação musical: “Coro esperança” da Escola Municipal Nova Perequê.
Profa. Elenice

20:00h às 21:00h
Palestra: Cultura e economia: interfaces e políticas públicas no brasil
Palestrante: Maria Aparecida Alves



19 de outubro - 6ª feira
15:00h às 17:00h
Mesa: A dialética da natureza e a economia política do espaço: análises estruturais e conjunturais
Palestrantes: Leonardo Arantes, Rodrigo Buchacra  e André Vilar

17:30h às 18:00
Palestra: Desenhando o canto: a apropriação da escrita e da escola pelo povo indígena maxakali
Palestrante: Marina Guimarães

19:00h às 20:00h
Palestra:  Multiculturalismo e reconhecimento: políticas do estado brasileiro e canadense sobre a alteridade
Palestrante: Miriam Alves


Mais Informações:

UNIVERSIDADE FEDERAL FLUMINENSE
INSTITUTO DE EDUCAÇÃO DE ANGRA DOS REIS
Pólo Universitário Jair Travassos
Avenida do Trabalhador, 179 - Verolme
23900-000 - Angra dos Reis, RJ - Brasil
Telefone: (24) 3365-1642

9 de outubro de 2012

Você quer estudar na UFF?

Vestibular suplementar para cursos de interior da UFF, já para o próximo semestre.

As vagas são as seguintes:

- Angra dos Reis: 
Curso: Ciências Políticas (Políticas Públicas) - Vagas: 6

- Campos:
Curso: História - Vagas: 8
Curso: Geografia - Vagas: 5
Curso: Ciências Sociais – Bacharelado - Vagas: 30
Curso: Ciências Sociais – Licenciatura - Vagas: 30

- Santo Antônio de Pádua:
Curso: Ciências Naturais - Vagas: 39
Curso: Física - Vagas: 17
Curso: Matemática - Vagas: 42

- Volta Redonda
Curso: Física Computacional – Vagas: 30

Mais informações no link abaixo:





2 de outubro de 2012

Marx no século XXI, segundo Eric Hobsbawn (1917-2012)

‎"Marx não regressará como uma inspiração política para a esquerda até que se compreenda que seus escritos não devem ser tratados como programas políticos, autoritariamente ou de outra maneira, nem como descrições de uma situação real do mundo capitalista de hoje, mas sim como um caminho para entender a natureza do desenvolvimento capitalista".

Eric Hobsbawn (1917-2012)