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"Sem dúvida, a Sociologia não valeria uma hora de trabalho... se não fosse para se atribuir a tarefa de restaurar às pessoas o significado de sua própria ação". [Pierre Bourdieu]
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1 de abril de 2017

[Sociologia da Educação II] As origens da educação no Brasil...


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Prezad@s,

Para melhor compreensão das origens do sistema educacional brasileiro, que tal pensarmos como era o "Brasil" quando ele não existia? É o que pode ser exercitado com a leitura do livro A função social da guerra na sociedade tupinambá, de Florestan Fernandes, que traz no seu prefácio a seguinte análise de Roque Laraia de Barros :

"A sua minuciosa análise comparativa das informações dos cronistas torna possível ao leitor a compreensão do ritual e, principalmente, entender por que a vítima conhecia como devia agir em um tão complexo cerimonial, no qual tem que demonstrar coragem diante da morte e explicitar a certeza de que um dia ele também será vingado. Os tupinambá possuíam uma unidade lingüística e cultural, mas eram constituídos por numerosos grupos com autonomia política — desde que não existia um poder central — entre os quais as guerras eram freqüentes. Muitas vezes, o executor e a vítima eram unidos por laços de afinidade. Em suma, os tupinambá buscavam as suas vítimas nos mesmos grupos em que procuravam as suas esposas".

Florestan, portanto, ao invés de uma visão idílica e exótica, adota um arguto olhar sociológico sobre essa importante civilização dos trópicos, colaborando para o seu entendimento em si e, ainda, como ponto de partida para possíveis futuras reflexões sobre o que aconteceu após os contatos étnicos com os povos provindos da Europa.

Assim como em A integração do negro na sociedade de classes (conferir aqui um artigo meu sobre o tema), Florestan nos deixa a importante lição de que nosso compromisso político com os "condenados da terra" só se fortalece quando adotamos um ponto de vista científico rigoroso e competente, sempre (e weberianamente) no limite do possível, mesmo quando traz à tona elementos complexos que costumam não fazer parte do senso comum "acadêmico-militante".

Na esteira gramsciana, é aqui que ele reforça a relevância do dito: "só a verdade é revolucionária". Isto porque é preciso reconhecer que, depois de todo e qualquer contato, "nós" e os "outros" já somos uma coisa terceira. E, assim, sem a possibilidade de retorno ao que já não "somos", resta-nos buscar um caminho novo de entendimento, tolerância e inovação de toda e qualquer tradição.

Talvez, desta forma, consigamos não cometer os erros que os mito do desenvolvimentismo, seja em sua expressão de esquerda (conferir o filme Belo Monte - Anúncio de uma guerra) ou sua expressão de direita (conferir o livro Os fuzis e as flechas), insistem em perpetuar.

Nesse sentido, vale conferir o ensaio "O que aprendi com os ETs", do físico Marcelo Gleiser, assunto para o nosso próximo encontro...

Até lá!

Marcos Marques

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