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"Sem dúvida, a Sociologia não valeria uma hora de trabalho... se não fosse para se atribuir a tarefa de restaurar às pessoas o significado de sua própria ação". [Pierre Bourdieu]
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18 de janeiro de 2012

Pedagogia da Alternância: trabalho, escola e vida

Por Marcos Marques de Oliveira

Foto: Estande da AMEFA (Associação Mineira das Escolas Família Agrícolas) na IV Jornada Nacional do Jovem Rural

Depois de alguns anos dedicados à difusão de uma experiência alternativa em Educação do Campo voltada para a formação de jovens empreendedores rurais com base na "Pedagogia da Alternância", finalmente deparei-me com uma publicação que trata de forma sintética, objetiva e envolvente essa metodologia que vem inspirando revoluções no ensino rural brasileiro.

Em “Praticar e compreender a Pedagogia da Alternância dos CEFFAs” (Vozes, 2007), Jean-Claude Gimonet, antigo diretor do Centro Nacional Pedagógico das Mainsons Familiales Rurales da França, expõe de forma bastante didática a história, os princípios e os instrumentos dessa pedagogia nascida na Europa e que hoje está presente nos cinco continentes.

No Brasil, das atividades pioneiras do MEPES (Movimento de Educação Promocional do Espírito Santo) às adaptações realizadas pelo CEDEJOR (Centro de Desenvolvimento do Jovem Rural) no Programa Empreendedorismo do Jovem Rural implementado, em parceria com o Instituto Souza Cruz, no três estados do Sul do país, passando pelas iniciativas das Casas Familiares Rurais (CFRs) e das Escolas Famílias Agrícolas (EFAs), a Pedagogia da Alternância vem propiciando uma formação adequada aos interesses, demandas, valores e realidades de parcela significativa de nossa juventude rural.

Isto porque, como afirma Gimonet, com ela "deixa-se para trás uma pedagogia plana para ingressar numa pedagogia do espaço e no tempo e diversificam-se as instituições, bem como os atores implicados. Os papéis destes não são mais aqueles da escola costumeira. O jovem (...) em formação, isto é, o ‘alternante’, não é mais um aluno na escola, mas já um ator num determinado contexto de vida e num território”.

Mas como isso acontece? De acordo com os quatros pilares dos Centros de Familiares de Formação por Alternância (os chamados "CEFFASs"), um concreto projeto educacional deve levar em conta a formação integral da pessoa e a sua articulação com o meio social, humano e político, através da associação de toda a comunidade educativa (além dos "alternantes", pais, famílias, educadores e instituições) e da alternância entre todos os contextos de aprendizagem.

Tudo se inicia com a preparação no Centro de Formação, onde se recebe os primeiros insumos técnicocientíficos para o ato de olhar para si e para o mundo. A seguir, caminha-se para a experimentação e a investigação do meio vivencial para o posterior retorno de formalização e conceituação no Centro. O próximo passo é o plano de intervenção no meio vivencial, através da busca de sintonia entre as potencialidades individuais e as demandas do coletivo. Desta forma, estão dadas as condições para uma nova seqüência de aprendizagem e intervenção.

- A proposta da alternância é promover uma aprendizagem contínua na descontinuidade das atividades e dos tempos e espaços diferentes. Ou seja, a alternância em educação propõe uma pedagogização destes tempos utilizando-se de ferramentas específicas que facilitam a articulação dos saberes experienciais e teóricos. (...) A alternância é uma pedagogia que busca integrar estudo e trabalho, escola e vida, teoria e prática”, afirmou recentemente Jean Batista Begnami, secretário-executivo da Associação Mineira das Escolas Famílias Agrícolas (AMEFA), a um site especializado no assunto.

Depois de anos de luta, finalmente a Pedagogia da Alternância vem sendo reconhecida pelos órgãos competentes como a metodologia de ensino mais adequada à realidade rural, recebendo, inclusive, apoio de governos e empresas para o seu fortalecimento e difusão. Oxalá agora ela ganhe a merecida repercussão e possa influenciar educadores de outras paragens e linhas, não para ser utilizada como receita, mas para, quiçá, servir de referência para inovações mais adequadas às demandas dos novos tempos e espaços que se forjam na pluralidade de contextos sócio-educativos Brasil afora.

* Artigo publicado em 07/04/2008, no site "Agrolink".

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